sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Viver é ser valente



Meu sonho era nascer virado pra lua crescente,
ser uma criança inteligente, brincar livremente,
e no fim do dia ver o sol poente.
Não estudar incessantemente,
ouvir uma história de antigamente e andar firmemente,
sabendo que tenho uma vida toda pela frente.

Trabalhar e ser decente, me tornar crente,
pois qual o sentido de acreditar e não amar um ser onipotente?
Ter um grande amor ardente e beijar lentamente,
depois sofrer que nem um penitente para então me perguntar
“por que não ouvi minha mente?”.

Ficar descontente, ter que ser paciente,
mas ter a certeza de que em casa
me esperam um tanto de abraços quentes.
E por fim sorrir sinceramente.
Ora, o que seria tudo isso se não, viver plenamente?

Priscyla Barreto Targino

quarta-feira, 21 de março de 2018

Então é aqui?

 

  Tem dias que faço a seguinte pergunta a Deus. "Quando descubro quem sou?". Sabe, não é quando tudo vai mal, quando as coisas não se acertam ou quando não temos saída, essa pergunta começa a aparecer quando estamos correndo atrás dos nossos sonhos, no meio da loucura que chamamos de rotina. Quando resolvemos parar no caminho e pensar "Espera aí, é assim que quero viver minha vida?". Uma coisa que tenho aprendido com esses últimos dois anos foi: nunca diga "nunca farei isso" ou "não aceitaria essa situação". Por mais que meus princípios estejam intactos, aprendi que a vida me ensina constantemente a matar um leão por dia, a ser forte e maleável ao mesmo tempo. A vida tem me ensinado que nem todas as pessoas que surgem de uma forma incrível na minha vida vão ficar, elas simplesmente vão desaparecer. E então outro ciclo começará. Aprendi que meus planos não se realizariam como imaginava, e que tudo que amo é sempre posto a prova, o tempo todo. Descobrir quem eu sou está sendo um caminho bem comprido, porém incrível, e planejar o que quero ser está sendo o maior desafio que eu poderia encontrar. Porque afinal, nunca se sabe o que vou sentir na próxima curva.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Queira ser amável.

 

  Seja amável. Seja amável quando alguém lhe for amável. Quando alguém não for recíproco, quando algo te magoar ou quando não houver decisões boas. Seja mesmo que não convenha, mesmo quando tudo lhe peça pra não ser. Seja não pelos outros mas por você. Você merece amor, merece carinho, merece compaixão. Se não dos outros que seja de si mesmo. Diga "eu vou ser melhor hoje" e no fim dia suspire "eu consegui". As vezes vai parecer que ganhou o mundo, e não posso negar, as vezes vai se achar um completo idiota. Mas é dentro que está mudando. O coração cresce, o sorriso se torna algo fácil e vai encontrar amor onde menos se espera. A sua volta muda. As pessoas que te rodeiam também. Você começa entender melhor as coisas ruins que acontecem, e começa a confiar em algo melhor. Começa a acreditar mais ainda nos planos de Deus. Começa a reconhecê-lo nas pequenas coisas e nas mais improváveis pessoas. E qualquer coisa que tenha sido quebrada dentro de você, vai se curar.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Nunca ache que brigas são o fim do mundo.



  Como você descobre isso? Brigando! Vai ter uma hora que não dá, nem os mais calmos casais vão conseguir sair ilesos. Seja como for vamos brigar. Vamos ter ciúme de uma pessoa aleatória, vamos implicar com o passado ou até mesmo com a mania de organização do outro. Vamos falar que o outro é  injusto ou passivo e teremos ódio nessa hora (acredite ou não). Teremos raiva de tudo o que passou em nossa cabeça, vamos duvidar até se o fio de cabelo não foi pintado e não importa o que o outro fale, entrará por um ouvido e sairá pelo outro. Ouviremos opiniões de pessoas aleatórias que não nos conhecem enquanto nosso coração vai ficar em segundo plano chorando.
  Algumas das coisas que mais irão doer são "Não vamos dar certo", "Você não era assim" ou até mesmo "Não imagino a gente se casando". É aí que o coração grita. Arrebenta tudo por dentro e tenta falar mais alto. O corpo treme, o peito dói e até da vontade de chorar. Vamos pensar como seria uma vida sem o outro e por quê estávamos brigando. Vamos pesar todas as pautas da discussão e ver quem estava realmente certo. Mas no fim, meio que não existe alguém mais certo. Serão só duas pessoas se acertando, e pra algumas coisas, uma conversa amigável não continua amigável até o fim.
  Mas deixa eu te dizer, não são o fim do mundo. Não são o fim quando mesmo com vontade de mata-la, você pensa em como doeria vê-la machucada. Quando mesmo com raiva, dizemos eu te amo antes de dormir ou em alguns relacionamentos, até dormimos juntos, com a raiva da briga passando enquanto sentimos o cheiro do outro. Quando mesmo ouvindo um "não vamos dar certo" ainda temos no coração um "mas eu não vou desistir". Discussões nunca vão ser fáceis, e serão presentes, por mais ruins que sejam. Mas não são o fim do mundo, se temos amor atrás de toda confusão.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Mas, e se, eu trair?


   Muitas pessoas diferem pensamentos sobre o que é traição e por que ela acontece. Na mais simples e pequena sabedoria que tenho, eis o que penso ser e porque acontece tal fato. Estar com alguém não é fácil, por mais que o amor seja maior que todos os outros sentimentos que já teve. Você junta seus princípios com alguém e de repente percebe que algumas coisas não combinam, e quando vê, nem sequer tentou encaixá-los. Costumamos pensar "Ora, os opostos se atraem", mas serão opostos a vida inteira? Ou combinarão algumas vontades e aceitarão as diferenças? Parece ser fácil fazer, e na verdade é. Só leva um pequeno tempo e duas pessoas dispostas a ceder um pouquinho.
  Quando duas pessoas se apaixonam e tem vontade de ficar juntas, criam uma união, as vezes forte desde o começo, e as vezes tornando-se forte com o tempo. Se durante o caminho não existe mais amor, não tem motivos pra continuar. O verdadeiro amor não acaba, e se um dia acaba, não era amor. Se todos os problemas cobrem todo o carinho e não deixam que o amor prevaleça, não ha motivos pra seguir em frente. Estar em um relacionamento não mantêm status. Ficar com alguém por ser cômodo ou por suprir algumas necessidades não te mostra forte, pelo contrário, te mostra fraco, imaturo e ausente de amor.
  Quando você escolhe ficar com um pessoa, mesmo se relacionando com outra, você não a trai, você trai a si mesmo. Você trai a todos os seus princípios e toda sua caminhada, trai o seu coração, o seu existir e o seu sentir. Amor não é só um sentimento, amor é viver. Temos a certeza que o amor é que a coisa mais importante que temos em nós, e agir de tal maneira mostramo-nos ausentes, mostramos que não somos capazes de dar e nem receber. Escolher mentir nos mostra vazios e duvidosos. Não com os outros, mas com nós mesmos.
  Amar é difícil pois é a coisa que mais vale a pena no mundo. E tão divino que o próprio Deus não amou, mas foi amor, e ainda é. Amor não se pede, não se tenta, ele acontece. E quando acontece nosso maior trabalho é virar nosso mundo de ponta cabeça pra descobrir como é nosso jeito de amar, como é o jeito do outro amar, e lutar pra dar certo. Só aí descobrimos o quão gostoso é ter amor pra dar a alguém, que te dê exatamente, o amor que sempre sonhou em ter.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Terraço - Terceira Parte




Ela: Mesmo que estivesse ocupada, em alguns momentos não conseguiria evitar de pensar nele. Parecia tão interessado quando o vira no café, que me sentiria interessada. Sua aparência era a de uma pessoa alegre e transparente, era bonito, devo admitir.

Ele: Eu adoro meu trabalho, mas hoje teria vontade que o dia acabasse logo pra que pudesse vê-la. Desde que a vira no café, alguma coisa me chamara atenção. Não sei se era a aparência de mulher doce ou o mistério como tudo acontecera. Foi diferente, e eu queria vê-la pra saber se era realmente um flerte ou algo real.

Ela: Eu chegaria um pouco atrasada, devido as poucas vagas de estacionamento. Entraria pela porta da livraria com o olhar atento, só me distraindo um pouco pelo espaço, um dos cafés mais bonitos daqui, uma casa readaptada para uma livraria, com várias janelas, mesinhas, estantes e livros, ao fundo, um espaço aberto com jardins e mesas, e lá estaria ele.

Ele: Chegaria dez minutos antes da hora. Sentaria no espaço aberto, o calor ajudara na escolha. Pegaria uma das mesas perto do jardim, um pouco afastada, para vê-la de longe. Então ela passara pela porta de correr, parecia absorta com o espaço. Estava mais bonita que no dia anterior. Os cabelos pareciam enrolados, estava de vestido azul, o que destacava sua pele, era gostoso admirar. Então ela olharia pra mim, longos segundos.

Ela: Caminharia até a mesa com receio de tropeçar ou algo parecido, chegando, ele se levantara pra me cumprimentar com um beijo no rosto. Fora aquele beijo acertado na bochecha. Ficaria vermelha com toda certeza. Sentara de frente e via que ele ainda me observava sério.

"Dia lindo não?" - Ele se desconcentrou e olhou nos meus olhos
"Demais, ainda mais esse café, venho desde que me mudei." - Ela sorriu, estaria perdido, pensei.
"Que vantagem morar aqui do lado. Já pediu algo?"
"Ainda não, quis te esperar para o convite." - Arrisquei-me.
"Que bom, esperei pra vir aqui, tem várias coisas que gosto."

Ele: Pedira o cardápio ao primeiro atendente que vira, e enquanto isso pediria dicas a Izabelle do que comer, ela parecia ter bom gosto e entendia do assunto. Eu mudara de assunto e perguntara se ela soubera cozinhar, acertaria em cheio.

Ela: Nem perceberia o tempo passar, Os pedidos chegariam e tomaria o cappuccino  lentamente. Ele fizera o mesmo. Finalmente, pediria o caderno. Ele me deu e entendeu que era o sinal para nos despedirmos. Até oferecera para me levar ao carro, aceitei. Poderia sentir seu perfume quando levantamos da mesa.

Ele: Quando nos levantamos, ela estava perto demais, deixei que passasse em minha frente e pude sentir seu perfume. Era como se eu não estivesse ali, parecia algo tão irreal. Paguei minha conta, ela chegara rápido demais ao caixa para eu tentar pagar a dela. Nunca andei tão lentamente em direção a um carro como andei para levá-la.

Ela: Acho que acabaria ali, ainda éramos dois estranhos, mesmo com algumas semelhanças de gosto, só que eu nunca saberia explicar a atração que sentia por ele. Chegando no carro, virei pra ele para me despedir.

Ele: Não iria acabar ali, não podia. Ela me fizera esquecer do meu trabalho enquanto estávamos juntos e o seu olhar não mentiria sobre estar atraída também. Ela se virou pra mim, e encostando a mão em um lado da bochecha, dei um beijo no outro. Pude ouvir sua respiração. O ventou bateu na hora que ia me afastando e seus cabelos vieram ao meu rosto. Ela entraria no carro e eu queria tê-la em minha vida sem mais nem menos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O Terraço - Segunda Parte







Ele: Eu chegaria em casa pensando se fizera certo. Ainda dava tempo de tê-lo entregue pra ela. Coloquei as chaves na estante e fui pra cozinha. O dia foi longo e cansativo. Devia ter comido fora, agora teria de cozinhar. Não era um dos meus fortes, mas pegaria as sobras da geladeira e assim poderia ter algo digno. Estaria passando algum jogo interessante na TV, melhor programação.

Ela: Passaria na casa dos meus pais pra ver como estavam, já que faço isso toda semana. Acabaria jantando lá antes de ir pra casa. Quando cheguei em casa notei o quanto estava cansada, largaria a bolsa no sofá e colocaria a roupa mais confortável que tinha. Quando voltei a mini sala, lembrei dele. Apesar de ser bonito, acharia-o curioso pra querer saber o que eu escrevia. Peguei minha bolsa e faltava algo. O caderno. O desespero veio na hora, meu nome e telefone estariam escritos e até agora ninguém ligara. Será que alguém o achou? Será que ele o pegou?

Ele: Depois do jantar pegaria o caderno que ainda estava no bolso do meu blazer. Abri a primeira página, nome e telefone. Izabele era o nome dela. Logo adicionaria aos meus contatos para avisá-la do caderno, mas minha curiosidade foi maior, então fui logo na última página. A que ela escrevia. Me atreveria a ler apenas a última frase: "Talvez as pessoas não sejam tão complicadas ou erradas demais para se ter confiança. Porque estar com alguém seja tão bom a ponto de não querer mais ficar sozinho." Escrevia bem, falava sobre ela. No primeiro momento ficaria atraído, parecia ser inteligente e era bonita de uma forma diferente, seus olhos me deixaram intrigado, não se via ultimamente.

Ela: Eu realmente ficaria brava. Como alguém acha algo que não é seu e não procura devolvê-lo no mesmo instante? Ficaria com medo de alguém ler meus textos. Meu celular tocou.

"Oi, boa noite.. Izabele?"
"Sim, quem fala?"
"Sou Leonardo, nos vimos no fim da tarde no café. Você esqueceu seu caderno na mesa e guardei-o comigo."
"Ah, que bom, achei que ninguém havia-o achado." 
"... Fiquei sem tempo, o dia foi corrido e acabei lembrando agora." - menti.
"Ah sim... Obrigada por tê-lo guardado, pode me entregar amanhã?"
"Posso sim, mas estarei longe do café, moro no home edifice, tem uma livraria/café do lado, pode ser no fim da tarde?"
"Pode, sei onde é, trabalho perto"
"Me desculpe pela demora, é que, me distraí."
"Sei bem como é."
"As 17h da tarde?" - Eu estava mesmo nervoso?
"As 17h da tarde estarei lá."

Ela: Parecia que eu iria encontrar alguém que a muito tinha esperado. Meu rosto se reviraria numa careta. Não gostaria dessa expectativa, dessa ansiedade. Mas meu coração já estava sentindo.



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quando sonhei de novo.


 Quem me conhece há anos sabe que não estou tão irreconhecível. Os anos se passaram e muitos dos sonhos que tinha foram substituídos. "São lindos, mas não está sonhando alto?" Diziam. Agora sei que, não estou não. Larguei mão dessa história de que "você tem que estar com os pés no chão". Todas as coisas que estão ao meu alcance, eu já tenho. Foi aí que deixei meu coração mandar de novo, como há muito tempo não fazia. Que erro bobo o meu. Pois tem uma parte da vida que não nos é avisada, a parte em que dizem que devemos crescer. Mas dizem isso através de erros que cometemos ao longo da caminhada. A parte que cortam nossos sonhos mais lindos, que nos mostram a parte feia do mundo, e acabamos perdendo nossas partes mais bonitas. E só depois dessa horrível parte, podemos escolher sonhar ou não. Podemos acreditar de novo. É essa parte onde muita gente escolhe não sonhar mais, e assim são levados pela maré. Mas escolhi ter de novo todos os sonhos que sempre tive. Por mais impossíveis que pareciam ser, e que agora parecem estar mais perto, pertinho. Não me seguro mais. Mas também não me perco mais. Aprendi que existe alguém que nos segura se permitimos, e esse mesmo alguém que te segura, te leva pra mais alto, te leva pra sonhos mais bonitos do que já teve um dia. Meu coração já é outro. Já bate mais forte e já sabe amar. Já sabe esperar e também já sabe correr atrás. E já sei que ninguém pode cortar nada da minha vida a não ser eu e Deus. E que ninguém sabe de tudo. O mais importante, todos estão aprendendo igual a mim.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Ser recíproco.



Muitas pessoas quando encontram algo especial em alguma parte da vida, procuram apreciar e viver o momento. Umas retribuem de forma espontânea, natural e doce, já outras esperam o recebimento, mais e mais. Procuram sempre desfrutar, sem ao menos poder imaginar que possa ser o especial pra outro alguém. Isso talvez seja o início da falta de reciprocidade. Se pararmos pra pensar, tudo na vida é via de mão dupla. Tudo se dá e se recebe, e assim se mantém qualquer ciclo, de felicidade ou não. Vivemos tão focados em amor próprio e deixamos de lado o amor mútuo. Por medo de parecer cafona, exposto ou mesmo julgado por alguém. Deixamos de nos importar-nos. Grande perda. Como somos tão leigos. No fim, descobrimos o quanto dar é melhor que receber.

terça-feira, 30 de junho de 2015


  E foi assim, sem nenhuma cerimônia, que foi entrando em minha vida como aconchego. Tirou os sapatos e a vergonha. Colocou pra fora todos os seus sorrisos e sua sinceridade, deixou ver cada pedaço de suas histórias, e eu as ouvi com atenção. Você foi comendo pelas beiradas, e confesso que eu também. Como aquelas pessoas que aproximam as mãos, passam o braço, e quando vêem já estão a poucos centímetros de suas respirações. Você já chegou ganhando. Ouviu sem enrolações os meus erros e acertos, foi me vendo despida de qualquer máscara, e sem rodeios, já foi se despindo também. Fui ganhando intenções no caminho e quando vi, eu já te possuía em todas elas. Me permiti levar pelo teu segurar de mão, talvez simples e imperceptível se não fosse um pequeno detalhe, você ainda estar segurando-a.

domingo, 26 de abril de 2015

Quando soltei você.


   Não é fácil soltar algo que se quer.  Ainda assim, quando se sabe que não foi feito pra nós, e temos de soltar. Eu deveria ter adiantado essa pequena dor, que agora não é tão pequena. Deveria ter dito não quando sorriu pra mim, ou quando me puxou pela mão. O problema é que não desisto tão fácil, de nada. Agarro até a última chance, e as vezes chorando, solto lentamente. Não achei que desprender-me de você seria essa novela toda, pelo contrário, achei que daríamos boas risadas e ainda ficaríamos falando sobre a vida. Como diria um velho amigo, quanto mais se conhece alguém, ou mais se ama, ou menos se gosta. Talvez um dia, eu descubra qual das duas partes, eu pertenci à você.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O terraço - Primeira Parte.


Ela: Eu estaria em uma cafeteria num fim de tarde,  o que sempre resultaria em lotação pelos dias no fim do outono. Estaria em uma mesa sozinha, tomando um cappuccino e tentando escrever mais um texto perdido. Esqueceria das horas mais uma vez.  

Ele: Por mais que visse que não haviam mesas disponíveis, eu relutaria em entrar. Iria até o balcão e pediria meu café, o atendente explicaria a falta de mesas, e então eu olharia pra trás e: "Ok, então eu divido a mesa com alguém". Não haveria lugares pra dividir, exceto a mesa próxima a janela, usada por uma moça escrevendo em um caderno com o cabelo tapando os olhos.  Me aproximaria e pediria licença para dividir a mesa.

Ela: Eu estaria tão afundo na escrita que sem levantar a cabeça disse "Sim, pode". Ele não estranharia, já que em lugares lotados assim, é normal. 

Ele: Eu ficaria aflito por não ter ganho atenção, e ela parecia estar tentando terminar a escrita pra assim poder cumprimentar quem estaria sentado a frente dela. 

Ela: Logo o café chegou e assim levantei a cabeça. O que veria a frente seria uma surpresa: não era uma senhora bem arrumada e simpática como de costume. Era um homem alto, cabelos castanhos, com expressão forte e barba por fazer, estava arrumado, mas apenas com celular e chaves de carro. 

Ele: Por uma estranha coincidência, não só eu estava assustado, mas ela também. Quando levantou os olhos, percebi o quanto era mais nova do que achei quando a vi do balcão. Suas roupas mostravam alguém séria, mas seu rosto era doce e seus olhos, grandes, cílios imensos, uma combinação um tanto bonita. Sua expressão denunciava que não me esperava sentar ali.

Ela: Ele sorriria, então eu lembraria de fazer uma cara mais gentil e dizer "Oi".

"Estou atrapalhando sua escrita?"
"Não, de forma alguma."
"O que escreve?"
"Pensamentos."
"É seu trabalho? Escrever pensamentos?"
"Não,  eu faço arquitetura e estagio, é só... Um passatempo."

Ele: Ela diria aquilo com um sorriso no canto dos lábios, aquilo lhe dava satisfação, e eu gostara do modo em que ela intercalava coisas tão diferentes.

"E você, trabalha com o que?"
"Acabei de me formar em engenharia civil, trabalho em uma construtora"
"Hum sim."

Ela: Ele me avaliara com os olhos, enquanto levava a bebida na boca. Ainda estava pensando no caderno, queria finalizá-lo, mas a curiosidade dele parecia não acabar tão cedo.

Ele: Ela estava acabando de tomar o que pedira e então percebi que o tempo passara rápido demais pra matar qualquer curiosidade que surgira ali. Seus olhos pareciam não prestar atenção a conversa que acabamos de ter e de alguma forma, não queria que as coisas terminassem naquela mesa.

Ela: Ele me desconsertava, e isso não me mantinha em uma zona de conforto. Coloquei minha bolsa em meu colo, num gesto sutil de dizer que estava de saída.

"Foi bom conhecê-la."
"Igualmente."
"Quem sabe não nos esbarramos de novo."

Ele: Ela se levantou e saiu, mas não sem antes sorrir graciosamente ao meu comentário que devo admitir, um pouco perseguidor. Então vi o caderno em cima da mesa, olhei pra trás e ela ainda estava passando entre as pessoas dali, num ato de loucura, peguei o caderno e guardei-o comigo, esperei vê-la passando pela janela da cafeteria em direção ao carro, assim o abri. Primeira página: nome e telefone.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Foi então que virei inverno.


   Depois de um tempo refletindo sobre si mesmo, você passa a saber seus limites, seus valores, e sobre o seu coração. Você já sabe quando haverá consequências se seguir em frente ou parar no caminho. Você já sabe evitar coisas ruins e já sabe o caminho que te faz feliz, bastando apenas permanecer com seus princípios. E talvez o saber dê medo. De alguma forma, você tem vontade de tentar, mesmo sabendo que não é exatamente o que quer, mesmo sabendo o fim. E tenha mais medo ainda de insistir, e sabendo que não dê certo, se martirize por isso. Somos um emaranhado de confusões que nós mesmo fazemos, mas não conseguimos sair, por acreditar que alguém com sua simplicidade venha, e resolva tudo. Ainda sonhamos, ao contrário do que se diz, ainda acreditamos em um rápido olhar, em uma mensagem, em uma frase de esperança. Só apenas não demonstramos isso, apenas viramos quem sabe, invernoFoi então que virei inverno.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O que seus olhos me falam.



  Talvez seus olhos sejam mais difíceis de se decifrar do que eu imaginava. Uma pessoa assim, só aparece em nosso caminho pra algo realmente importante acontecer depois. E isso que me intriga. Desde a primeira vez, seus olhos me chamaram atenção. Talvez seja só uma peça que o destino esteja me pregando, e que com certeza, eu caí. Talvez você seja realmente tudo o que seus olhos me prometem, e me desculpe pelas fracas palavras, mas nada se iguala ao que eles prometem. Uma vida real.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Engana-se meu caro.


  Engana-se quem pensa que vivo só em flores. Engana-se quem pensa que vivo cheia de amores. Enganam-se mais ainda em pensar que sou de modo fútil como tanta gente por aí. Eu não quero uma noite inesquecível, quero noites interminavelmente boas. Não quero dizer que fiquei com alguém, quero dizer que tenho alguém. Não quero passar a imagem de algum objeto ou prêmio ganho, quero ser considerada a maior conquista. Me entristece por dentro ao pensar quem em meu redor só existam pessoas assim, e que se eu tentar arriscar, posso perder tudo, ficar mais cheia de vazio. A cada passo em falso, ando me perdendo no caminho. Talvez seja assim que aconteça com o resto, tentativas frustradas e pisadas em falso, perdem-se conteúdo e amor.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Algo mais.


  Talvez eu precise de aconchego, de alguém pra sempre poder voltar. Talvez precise de um afago nos cabelos e um "tudo bem" sussurrado em minha testa. Talvez as pessoas não sejam tão complicadas ou erradas demais para se ter confiança. Porque estar com alguém seja tão bom a ponto de não querer mais ficar sozinho. Porque discutir assuntos rotineiros com alguém deve ser melhor do que não ter alguém pra discutir. Alguém pra te jogar na parede, pra questionar todas as sua ideias e até te tirar do sério, mas fazer isso por algo maior, talvez chamado amor.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Não se sabe ao certo.


  Não se sabe ao certo, porque as coisas melhoram de um jeito diferente. Não se sabe ao certo porque quando algo vem fácil, te traz insegurança e tristeza. Não se sabe porque algo que fazemos parecendo certo, não traz felicidade, e sim dúvida. Nunca pode-se saber ao certo, que mesmo as coisas que fogem do nosso controle, ao voltarem, tem significado diferente. Um significado que as vezes demora a se ajustar em nossas vidas.  Nunca pode se saber ao certo se algum dia teremos certeza sobre certas coisas. Talvez até tenhamos um pré-destino, que mesmo as vezes mudado por nós, torna sempre a voltar, e nos levar de volta pra estrada. Um pensamento muitas vezes pequeno, mas que dá razão e certeza de talvez possamos não mudar, mas melhorar nosso caminho.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Brisa.



Ela abriu a janela pra sentir a brisa. A brisa entrou e saiu. E assim saíram com ela os machucados. Saíram com ela as tristezas, o peso de um amor quebrado. Percebeu que essas coisas só estavam esperando alguém que as levasse. Estavam velhas e prontas para ir. Foi então que fechou os olhos e sorriu. Foi então que se viu aliviada depois de tempos. Passou os dedos por entre as grades frias e pode sentir quem as levou. Um breve sorriso surgiu no canto da boca. Estava começando de novo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Algo que vejo, algo que vê.


   Quando tudo que você vê todos os dias parece diferente, quando há cada dia que passa, você descobre algo novo em seu cotidiano, quando mesmo que seus dias pareçam mas nunca sejam iguais, tenha certeza, você vive. Não se iluda com o termo "pessoas maravilhadas". Não. Não somos assim. Somos pessoas encantadas com a vida, parecemos o surdo que ouve pela primeira vez, e quer sair ouvindo qualquer barulho por aí. Parecemos o fotógrafo quando encontra "aquele" lugar. Não precisamos de ninguém para nos mostrar ou nos ouvir. Apenas o contentamento quieto no peito já basta. Como se tivéssemos encontrado um baú, com a felicidade dentro.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Nas profundezas.


Ele enrosca os dedos em seu cabelo. Ela continua parada fitando os olhos daquele que lhe pertenceu tanto tempo, aquele que de alguma forma ainda lhe pertence. Tem carinho nos olhos, e algo mais escondido nas profundezas daquele verde. Um pedido de socorro, desespero de uma resposta do porquê ela estar ali. Não pode fitá-lo diretamente. Seus olhos não sabem mentir. Eles mostram tudo o que o rosto esconde. Mostram a saudade batendo nas paredes tentando quebrá-las, mostram uma criança pedindo colo, implorando pela segurança que seus braços lhe traziam. Ele já não pode oferecer isso, a não ser que ela vá embora também. Não é simples abandonar tudo. Como não é simples seguir o coração. E os dois ficam ali deitados um pro outro, esperando que a hora de ir embora chegue.