Explicações sem sentido:

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Parte I




Terça a tarde. Chovia muito, mas não com trovões e ventos, apenas chovia. Caminhando de volta pra casa, sem pressa nenhuma, era apenas eu, meu guarda-chuva vermelho, e os pingos molhando minhas galochas. Virando a esquina, vejo em frente de casa um guarda-chuva xadrez que eu bem conhecia. Era ele. "O que ele faz aqui? Ele nunca veio, como sabe que moro aqui?" E apareciam mais e mais perguntas. Chegando perto do portão, ele se vira, olha pra mim e dá um dos poucos sorrisos que vi.


- Oi. - ainda com o sorriso raro, mas agora, no canto dos lábios.


- Oi.


- Eu preciso falar com você.


- Entra.


Escolhendo as chaves, percebi que estava nervosa, ele me deixava assim, principalmente quando sentia que seus olhos me percorriam. Tentei esquecer, abri o portão e entramos.


- Você sempre anda na chuva?


- Só quando o tempo está assim.


- Hum.


- Mas e você, como sabe onde eu moro? - tiro as galochas e de meias vou a sala, apontando pra ele me seguir.


- Esses dias atrás, tava passando por aqui quando vi você entrar. - Dando de ombros, se joga no sofá e bate do lado pra eu sentar


- Hum tá... E o que seria de tão importante assim? - Tentando fazer com que ele pensasse que não estou nenhum pouco interessada, sento do seu lado e começo a olhar pro nada.


- Olha... - Passa o braço por meu ombro e se aproxima, deixando poucos centímetros entre nós.- Depois de tudo aquilo que aconteceu, está difícil confiar em alguém, então... eu não posso deixar você sozinha, e, seria melhor passar uns dias aqui.


"Era verdade mesmo tudo o que eu estava presenciando? Como pode se oferecer? Logo ele, que, que fez tudo aquilo pra descobrir quem eu era, me sinto um lixo!"


- Eu prometo que não incomodo, seria como um pedido de desculpas, só quero garantir que ninguém vai aparecer de novo.. tá ?


.......


- Tá ?


- Sim.


Eu não sei o que me deu, nem porque aceitei, mas já estava feito.

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