Explicações sem sentido:

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Biblioteca - Parte 1


   Tudo estava como de rotina. O dia fresco ao entardecer, com uma leve brisa gelada. E como qualquer outro, ela estava indo à biblioteca. Onde seus pensamentos mais ruins se espalhavam como poeira entre os livros, e só restava a vontade de se perder dentre tantas histórias melhores que a dela.
   A biblioteca ficava no meio de um parque. Diferente de outras, aquela havia janelas em todos os lados, e a vista eram as árvores e ramos subindo em cada lugar que conseguiam se enroscar. Realmente, não existia melhor lugar pra ficar. Poderia contar, já lera metade dos livros ali, mesmo que sempre chegassem livros novos.
   Foi até a prateleira mais antiga, como de costume, e, em sua sequência de memória, faltavam três para serem lidos. Foi arrastando os dedos em capas velhas e contando... 1..2..3..4. Eram quatro, e o  n°4  era um caderno de desenho. Seria impossível não ter notado que haviam quatro antes. Não se encaixava na sessão por ter uma capa nova. Automaticamente puxou esse. Sua capa era de um marrom de couro, folhas grossas e levemente amareladas, com um elástico prendendo as folhas. Primeira folha:

   "Serei louco em querer ver cada traço de cor dos seus olhos? Assim, de perto, do modo que a proximidade me permita sentir teu perfume. Se permitir, esqueça o livro dentre todos os velhos e venha todos os dias ao entardecer."

   Segunda folha: Um desenho. Se fosse qualquer outro desenho, ela simplesmente ficaria encantada com um possível romance gostoso de se ler. Mas não. Era um desenho dela, e mais nada. Todas as outras folhas em branco. Claro que pode identificar os cabelos desenhados até a cintura, um arco com um laço na cabeça e seu escapulário, com as duas partes pra frente. Será que alguém tem um igual a esse? Foi o primeiro pensamento, pensamento bobo de alguém assustado que quer negar o que acabou de ver. Seus traços do rosto estavam perfeitamente desenhados entre rabiscos na folha.
   Fechou o caderno com as mãos tremendo e o colocou no mesmo lugar. Sem olhar pros lados para não chamar atenção, andou (ou tentou) andar o mais normal possível até a saída. Uma onda de medo e curiosidade invadiu sua mente que a deixou cambaleante quando se afastou do parque. Seus dedos procuraram rapidamente os fones de ouvido dentro da bolsa, e andou pra longe dali. Sem pensar em nada.

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