Explicações sem sentido:

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O sonho - Parte III

Acordei. O quarto realmente precisava de limpeza. As paredes eram brancas, mas agora estavam sujas de barro e meia avermelhadas, resolvi sair, esse quarto já estava me deixando sem ar. A casa parecia um labirinto, não só as paredes do quarto eram sujas, mas toda a casa. Derrepente o corredor acaba, a luz machuca meus olhos, não sei quanto tempo passei ali mas parece que foi muito. A poucos metros tem outra casa, mais elaborada e limpa, branca.
Do lado das duas casas havia um jardim simples, tinha crianças, poucas, todas com os rostinhos cansados, como se estivessem chorando a muito tempo, e pelo jeito estavam.
Eu estava completamente diferente. Descalça, cabelos soltos e um vestido branco. Comecei a enxergar as coisas um pouco embaçado e mesmo assim fui andar pelo jardim. Não havia muitas plantas nele, grama um pouco gasta, pingos de ouros e várias árvores um pouco longe. Cheguei perto de um pingo de ouro, comecei a debulhar as sementes e jogá-las no chão, não foi sem motivo, mas queria ver quem estava em volta de mim.
Três homens sentados na varanda há poucos metros de mim e ao longe podia ver que os muros que nos cercavam eram brancos e a cada pilar havia um homem armado. Aquela cena me causou arrepios. Este lugar estava em volta de uma mata, eu podia ver e podia sentir pelo ar. Algumas crianças correndo pelo pátio. Pude ver uma menina escorada na parede da casa, tinha mais ou menos a minha altura, cabelos louros e rosto branco, olha com indiferença e parecia não se importar com aquilo tudo.
As sementes estavam acabando, dei a volta na planta pra procurar mais quando dou de cara com um menino. Alto, branco, cabelos castanhos escuros e olhava diretamente pra mim o que me fez corar na hora. Ele começou a debulhar sementes também, sempre do meu lado. Depois de um tempo não me importei com a sua presença. Aquele silêncio, foi o primeiro momento de paz que tive ali, mesmo com minha cintura queimando quando me virava bruscamente.

- Oi. - Foi a única coisa que ele disse. Mas só aquilo bastava pro meu coração bater mais rápido.

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